No dia de seu julgamento no TSE, Bolsonaro cumpre agenda política no RS

Bolsonaro viajou para Porto Alegre nesta quinta-feira (22) para cumprir agenda como presidente de honra do PL, na intenção de buscar lideranças para as eleições de 2024

No dia em que será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em caso que pode torná-lo inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre agenda política do PL (Partido Liberal) no Rio Grande do Sul. De acordo com o partido, ele desembarca em Porto Alegre, nesta quinta-feira (22), no plano de fortalecer a sigla para as eleições municipais de 2024, e deve permanecer na cidade até sexta (23).

Por meio de nota e em meio a vídeos de Bolsonaro sendo cumprimentado por apoiadores no embarque, no aeroporto de Brasília, o PL se referiu ao ex-presidente como o “maior representante político da direita na atualidade”. A agenda será cumprida na função de presidente de honra do partido.

A ação em pauta no TSE, que começa a ser analisada nesta quinta, investiga se Bolsonaro cometeu o crime de abuso de poder político durante um evento com embaixadores no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. Na ocasião, o então presidente da República e candidato à reeleição questionou as urnas eletrônicas e a segurança do processo eleitoral.

Bolsonaro afirmou que o sistema brasileiro de votação era “inauditável” e insinuou supostas interferências de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O evento foi transmitido ao vivo em suas redes sociais e na EBC (TV pública do governo federal).

O caso começou a ser investigado a partir de uma ação ajuizada pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). Além do abuso de poder político, a legenda alega que houve “desvio de finalidade” e uso indevido dos meios de comunicação do Estado. Nessa mesma investigação foi incluída também a ‘minuta inconstitucional’ encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.

A reunião de Bolsonaro com embaixadores, agora alvo do TSE, foi realizada em 18 de julho de 2022
O Ministério Público Eleitoral já se manifestou pela condenação de Jair Bolsonaro. Paulo Gonet Branco, vice-procurador-geral-eleitoral considerou que Bolsonaro usou recursos do Estado de maneira indevida para propagar falsas informações sobre as eleições.

O julgamento começa no dia 22 de junho com a leitura do voto do relator, ministro Benedito Gonçalves. De acordo com a assessoria do TSE, se for necessário, o julgamento poderá se estender para a duas sessões seguintes, previstas para os dias 27 e 29 de junho, que serão as últimas antes do recesso de julho.

Na quarta-feira (22), após visita ao gabinete de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente pediu que o TSE o absolva no julgamento que pode levá-lo à inelegibilidade e disse que seria “péssimo para a democracia” se ele tivesse os direitos políticos cassados.

“Não gostaria de perder meus direitos políticos. Não sei se vou ser candidato ano que vem a prefeito, vereador ou se no futuro a senador ou presidente. Mas para ser candidato eu tenho que manter meus direitos políticos”, disse na ocasião.