IA prevê ideologia política com base na aparência das pessoas, diz estudo

Experimento de pesquisadores da Dinamarca e da Suécia apontou que tecnologia vincula visões de direita a indivíduos que parecem felizes e mulheres consideradas atraentes e reforça estereótipos que podem influenciar decisão sobre contratação

Pesquisadores da Dinamarca e da Suécia testaram uma inteligência artificial de aprendizado profundo que pode prever as ideologias políticas de uma pessoa com base em sua aparência física. Segundo os autores, o objetivo do estudo “foi demonstrar a significativa ameaça à privacidade representada pela intersecção entre técnicas de aprendizado profundo e fotografias que estão disponíveis” a todos.

Para realizar o trabalho, o grupo de psicólogos e cientistas políticos selecionou 3.323 fotos de candidatos dinamarqueses que concorreram às eleições municipais em 2017. Segundo o portal Business Insider, as imagens foram recortadas para mostrar apenas os rostos. Depois, foram aplicadas técnicas avançadas para avaliar as expressões faciais das pessoas e utilizado um banco de dados para determinar suas “pontuações de beleza”.

Inteligência artificial não vai dominar o mundo, diz um dos 3 ‘padrinhos’ da tecnologia
Os impactos da inteligência artificial no trabalho
A inteligência artificial, então, determinou se as figuras retratadas eram de esquerda ou de direita, e, em 61% das vezes, acertou com precisão. A tecnologia indicou que os candidatos conservadores “pareciam mais felizes do que seus colegas de esquerda” por causa de seus sorrisos, enquanto os candidatos liberais eram mais neutros.

As mulheres que expressavam desprezo (expressão facial caracterizada por olhos neutros e um canto dos lábios levantado) foram retratadas pelo algoritmo como ligadas a políticas de partidos liberais e as conservadoras foram consideradas mais atraentes.

Reforço de estereótipos
A reportagem do Business Insider pontua que noções preconcebidas sobre padrões de beleza e gênero frequentemente usadas para treinar modelos de IA podem reforçar estereótipos que influenciam decisões de contratação e afetam as chances das pessoas conseguirem um emprego.

“Fotografias faciais estão comumente disponíveis para potenciais empregadores, e aqueles envolvidos nas decisões de contratação autodeclaram a disposição de discriminar com base na ideologia”, escreveram os pesquisadores.