Rio Grande do Sul completa quatro dias com temperaturas abaixo de zero e frio começa a perder força

Soledade chegou a -1,6°C nesta terça-feira; massa de ar polar perde intensidade, mas manhãs frias e possibilidade de geada ainda permanecem.

O Rio Grande do Sul completou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, quatro dias consecutivos registrando temperaturas abaixo de zero. O frio mais intenso desta manhã ocorreu em Soledade, com -1,6°C, enquanto Tapera marcou -0,6°C e Pontão chegou a -0,2°C. Os três municípios ficam no Norte do Estado.

Apesar das marcas negativas, o frio já apresentou perda significativa de intensidade em comparação com a segunda-feira. Segundo levantamento divulgado pela MetSul Meteorologia, apenas três municípios com estações de monitoramento registraram temperaturas negativas nesta terça, contra 47 pontos de medição na madrugada anterior.

Na segunda-feira, dia 7, dados do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro) apontaram -3,8°C em Bom Jesus, enquanto Vacaria registrou -3,2°C. Uma estação privada chegou a indicar -4,7°C em Cambará do Sul, mas esse último dado não é oficial. O frio também favoreceu geada e registros de neve em pontos de maior altitude durante o episódio.

Por que o Rio Grande do Sul teve quatro dias seguidos de temperaturas negativas?

O episódio de frio está associado principalmente ao avanço de uma massa de ar polar sobre o Sul do Brasil. O ar frio e seco criou condições favoráveis para uma queda acentuada das temperaturas durante a madrugada, especialmente em áreas de maior altitude e em localidades afastadas dos grandes centros urbanos.

A sequência começou no sábado, quando Pinheiro Machado, no Sul gaúcho, registrou -1,2°C. No domingo, o município voltou a apresentar a menor marca do Estado, chegando a -2,2°C. Na segunda-feira, o frio ganhou ainda mais intensidade em diferentes regiões, antes de começar a enfraquecer nesta terça.

O cenário de segunda-feira foi particularmente abrangente. Dados oficiais apontaram pelo menos 11 municípios gaúchos com temperaturas abaixo de zero, com grande concentração das menores marcas na Serra. Bom Jesus liderou os registros oficiais com -3,8°C, seguido por Vacaria com -3,2°C. Quaraí, na Fronteira Oeste, marcou -1,6°C.

A presença de ar seco também favoreceu grande variação de temperatura entre a madrugada e a tarde. Depois de amanhecer com valores próximos ou inferiores a zero, algumas localidades podem apresentar temperaturas consideravelmente mais altas durante o período de maior insolação. Essa amplitude térmica é característica de situações em que uma massa de ar frio e seco permanece sobre a região.

O frio atingiu também Santa Catarina e Paraná. Em Santa Catarina, Bom Jardim da Serra chegou a -6,1°C na madrugada de segunda-feira, São Joaquim marcou -5,9°C e Urupema, -5,4°C. Ao todo, 11 municípios catarinenses ficaram abaixo de zero naquele levantamento.

As condições também favoreceram fenômenos típicos de frio intenso. Houve registros de neve em áreas de maior altitude de Santa Catarina e também em pontos como Cambará do Sul e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul.

Frio perde força, mas geada ainda pode ocorrer em áreas do Estado

Embora o Rio Grande do Sul tenha completado quatro dias consecutivos com marcas negativas, os dados desta terça-feira mostram uma mudança importante. Apenas Soledade, Tapera e Pontão ficaram abaixo de zero no levantamento citado pelo Correio do Povo, uma redução expressiva em relação à quantidade de estações que registraram temperaturas negativas na madrugada anterior.

Isso indica que a massa de ar polar está começando a perder força. Ainda assim, a terça-feira começou bastante fria e com condições para formação de geada principalmente em áreas da Campanha, Oeste, Centro, Norte e Serra. Em Porto Alegre, a previsão indicava temperaturas entre aproximadamente 10°C e 22°C ao longo do dia.

A tendência para quarta-feira, 9 de setembro, é de enfraquecimento gradual da massa de ar frio. O tempo deve permanecer relativamente estável em boa parte do Rio Grande do Sul, com presença de sol favorecendo uma recuperação maior das temperaturas durante a tarde.

As manhãs, entretanto, continuam frias. A possibilidade de geada passa a ficar mais concentrada nas regiões de maior altitude da Serra e em pontos isolados da Campanha. Assim, o desaparecimento das temperaturas negativas em grande parte do território gaúcho não representa uma mudança imediata para condições de calor.

O comportamento do tempo também pode mudar novamente nos dias seguintes. A retirada gradual da massa polar abre espaço para novas áreas de instabilidade, aumentando a possibilidade de chuva em partes da Região Sul. Essa alternância entre períodos secos e frios e episódios de chuva é comum durante as transições atmosféricas do fim do inverno.

Para a população, a principal característica dos próximos dias deverá ser justamente a amplitude térmica. As primeiras horas do dia podem exigir roupas mais pesadas, enquanto o aumento da temperatura durante a tarde permite sensação mais agradável em diversas cidades.

O que o frio intenso significa para agricultura, saúde e rotina dos gaúchos?

Temperaturas negativas têm impacto que vai além da sensação térmica. No campo, a formação de geada pode afetar culturas sensíveis, especialmente quando ocorre de maneira intensa ou fora dos períodos normalmente esperados pelos produtores. Hortaliças, fruticultura e determinadas lavouras exigem atenção especial quando há previsão de temperaturas próximas de zero.

Ao mesmo tempo, algumas culturas de inverno são adaptadas às temperaturas mais baixas. O efeito agrícola depende da intensidade do frio, do estágio de desenvolvimento das plantas, da duração da temperatura mínima e da localização da propriedade. Por isso, produtores precisam acompanhar alertas meteorológicos específicos para cada região.

A saúde também merece atenção durante sequências prolongadas de frio. Idosos, crianças pequenas, pessoas em situação de rua e indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares podem apresentar maior vulnerabilidade. Ambientes fechados e pouco ventilados também exigem cuidado, principalmente quando aquecedores ou equipamentos de combustão são utilizados.

Nas estradas, geada e temperaturas muito baixas podem alterar as condições de determinados trechos, sobretudo nas regiões serranas. Motoristas que circulam durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã devem acompanhar as condições meteorológicas locais e eventuais orientações das autoridades rodoviárias.

O episódio desta semana também mostra como as condições podem variar rapidamente dentro do próprio Rio Grande do Sul. Enquanto áreas da Serra, Norte e Campanha enfrentaram temperaturas negativas, outras regiões registraram valores menos extremos. Altitude, relevo, nebulosidade, vento e características locais ajudam a explicar essas diferenças.

A tendência imediata é de redução do frio mais intenso. Depois de quatro madrugadas consecutivas abaixo de zero em algum ponto do Estado, a massa polar começa a perder força e as tardes devem apresentar recuperação das temperaturas. Mesmo assim, as manhãs frias ainda permanecem no horizonte, especialmente nas áreas serranas.

O período entre sábado e esta terça-feira deixa uma sequência marcante: -1,2°C no sábado, -2,2°C no domingo e novas temperaturas negativas na segunda e terça-feira, segundo os levantamentos meteorológicos divulgados. Nesta terça, Soledade assumiu a menor marca do dia, com -1,6°C.

Para os próximos dias, portanto, a atenção passa da sequência de temperaturas negativas para a mudança do padrão atmosférico. O frio extremo tende a perder espaço, mas o Rio Grande do Sul ainda deverá conviver com manhãs geladas e, posteriormente, com o retorno de condições mais favoráveis à instabilidade.

Fontes: