Instituto Caldeira e inovabra firmam parceria durante Semana Caldeira e preparam missão à China em 2027

Acordo amplia a conexão entre startups, empresas e investidores e prevê uma missão à China em 2027 para fortalecer negócios e intercâmbio de inovação.

O Instituto Caldeira, de Porto Alegre, e o inovabra, hub de inovação ligado ao Bradesco em São Paulo, anunciaram nesta semana uma parceria estratégica apresentada durante a Semana Caldeira 2026. O acordo conecta dois dos principais ecossistemas de inovação do país, prevendo acesso recíproco a comunidades, plataformas digitais, programas e eventos, com o objetivo de aproximar startups gaúchas de grandes corporações e ampliar oportunidades de negócio entre as duas regiões.

Dois ecossistemas se conectam para ampliar acesso a mercados e desafios corporativos

O Instituto Caldeira reúne atualmente mais de 550 empresas e instituições, das quais 135 são residentes no espaço físico em Porto Alegre, além de mais de 300 startups já aceleradas e uma circulação anual superior a 300 mil pessoas. Já o inovabra soma cerca de 600 startups que passaram por seu ambiente em São Paulo desde a criação, mais de mil negócios gerados entre integrantes da comunidade e aproximadamente 250 desafios estratégicos do Bradesco direcionados ao ecossistema de inovação, segundo dados apresentados pelas duas organizações.

Segundo Paulo Emediato, head de Growth e Comunicação do inovabra, a parceria nasce em um momento de transformação do modelo de negócio do hub paulista, que revisa sua atuação para reduzir a dependência de espaços físicos e ampliar a oferta de programas e conexões estruturadas. Ele destacou que o ecossistema mantém hoje cerca de 270 startups ativas, além de aproximadamente 40 corporações clientes do banco que desenvolvem projetos de inovação em parceria com a comunidade.

Na prática, isso significa que startups, scale-ups, empresas e centros de pesquisa ligados ao Instituto Caldeira poderão se conectar a demandas do Bradesco e do inovabra, enquanto membros do hub paulista terão acesso às iniciativas geradas pelo ecossistema gaúcho. O acordo prevê ainda presença mútua nos eventos organizados pelas duas instituições, incluindo happy hours, encontros para convidados e painéis com executivos ligados aos respectivos ecossistemas.

Para Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira, a conexão com outros centros de inovação faz parte da estratégia da instituição desde sua fundação. O executivo destacou que a aproximação com hubs como o inovabra, o Cubo, o Porto Digital e a Acate reflete uma visão de que o desenvolvimento da inovação no Brasil depende da integração entre diferentes regiões do país, e não da concentração de oportunidades em um único polo econômico.

Novo modelo do inovabra busca ampliar acesso de startups fora de São Paulo

Um dos objetivos centrais da parceria é reduzir uma barreira histórica enfrentada por startups de fora do eixo São Paulo: o acesso ao mercado paulista, considerado decisivo para empresas que buscam escala nacional. Segundo Emediato, o novo modelo de atuação do inovabra passa a olhar justamente para como potencializar o crescimento de startups que não têm presença física na capital paulista, desenhando programas de expansão voltados a esse público específico.

A mudança no modelo de negócio do inovabra acompanha uma transformação mais ampla na forma como empresas brasileiras utilizam ambientes de inovação corporativa nos últimos anos. Segundo o executivo, o setor deixou de lado o foco em locação de espaço físico e coworking, modelo predominante nos últimos dez ou quinze anos, para investir em conexões, programas e no que o hub paulista chama de orquestração de negócios em tecnologia.

O novo formato prevê ainda um uso mais flexível de escritórios e posições de trabalho, sem depender de contratos fixos de ocupação. O inovabra informou que deixa de operar a partir de posições de trabalho ou escritórios residentes fixos e passa a utilizar os espaços conforme as atividades previstas em cada programa, um movimento que busca ampliar a geração de valor sem atrelar a receita à venda de metragem física.

Pedro Valério reforçou que o Instituto Caldeira enxerga a parceria como uma forma de criar canais permanentes de acesso para empreendedores e empresas gaúchas a oportunidades fora do estado. Para o CEO, a lógica de conexão com diferentes ecossistemas do Brasil e do mundo está no centro da proposta do hub desde sua criação, e iniciativas como essa ampliam o alcance de negócios gerados a partir de Porto Alegre.

Missão China 2027 amplia horizonte internacional para empresas conectadas aos dois hubs

Entre as primeiras iniciativas concretas da parceria está a Missão China 2027, programada para ocorrer entre 22 e 29 de maio do ano que vem. A iniciativa levará lideranças empresariais brasileiras para uma imersão em Hong Kong e Shenzhen, com visitas técnicas e reuniões com empresas, instituições financeiras, universidades e organizações de tecnologia das duas cidades chinesas.

Segundo Emediato, a escolha das duas cidades está diretamente relacionada à concentração de empresas e centros de desenvolvimento tecnológico na região, além da força do mercado financeiro em Hong Kong. O executivo destacou que o programa não incluirá Pequim ou Xangai, optando por um recorte mais específico voltado ao ecossistema de inovação e tecnologia asiático.

A iniciativa fará parte do portfólio conjunto de oportunidades oferecidas aos membros das duas organizações, com condições especiais para participantes das comunidades do inovabra e do Instituto Caldeira. A expectativa é de que a missão sirva como ponto de partida para aproximar empresas gaúchas de investidores, parceiros comerciais e centros de pesquisa asiáticos, ampliando o alcance internacional de negócios originados no Rio Grande do Sul.

O anúncio da parceria e da missão internacional ocorre em meio à programação da Semana Caldeira 2026, que já havia reunido lideranças de setores como varejo, indústria e saúde digital ao longo da semana, reforçando o papel de Porto Alegre como ponto de conexão entre diferentes ecossistemas de inovação do país e do exterior.

Fontes: