Goiás deve ampliar novamente o cultivo de girassol na safra 2025/26, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa). A estimativa indica produção de 71,8 mil toneladas, com área plantada de aproximadamente 63 mil hectares no estado.
O avanço ocorre em um cenário de expansão da cultura no Cerrado goiano. Na safra 2016/17, o girassol ocupava 16,6 mil hectares. A comparação mostra o crescimento da área destinada à oleaginosa, que vem sendo utilizada por produtores como alternativa para a segunda safra, especialmente em sucessão à soja.
Apesar da expansão da área, a produtividade projetada para 2025/26 é de 1,1 tonelada por hectare. O índice fica abaixo das 1,6 tonelada por hectare registradas na safra 2024/25, segundo os dados apresentados pela Seapa. A diferença reforça que o aumento do cultivo não representa, automaticamente, maior rendimento por área ou crescimento proporcional da renda no campo.
Girassol ganha espaço como opção para a segunda safra
O interesse dos produtores goianos pelo girassol está relacionado a características agronômicas que favorecem sua utilização no calendário agrícola. A cultura apresenta maior tolerância à seca em comparação com outras opções, menor incidência de algumas pragas e possibilidade de integração com diferentes cadeias produtivas.
Esse perfil permite que o girassol seja considerado uma alternativa em áreas utilizadas após a colheita da soja. A diversificação pode contribuir para o planejamento das propriedades, mas o desempenho da lavoura continua condicionado às condições climáticas, ao manejo e à disponibilidade de água durante o ciclo de desenvolvimento.
O levantamento estadual aponta que a irregularidade das chuvas afetou parte das lavouras na safra 2025/26. Enquanto as plantações do sul de Goiás encontraram condições mais favoráveis, a restrição hídrica em outras regiões prejudicou a formação dos grãos. Os efeitos apareceram no tamanho, no peso e na qualidade do produto colhido.
Rio Verde aparece entre os principais polos produtores
O sudoeste goiano concentra áreas relevantes da produção. Rio Verde é apontado como um dos principais municípios da cadeia e, em 2024, respondeu por 12,7% da produção estadual de girassol. O município também ocupou a primeira posição no ranking nacional municipal citado no levantamento da Seapa.
Chapadão do Céu, Montividiu e Goiandira também aparecem entre os municípios de destaque. A distribuição regional mostra que a cultura está vinculada a áreas de forte presença do agronegócio e pode se beneficiar de estruturas já existentes para cultivo, armazenamento e transporte de grãos.
Até o momento considerado no levantamento, a colheita havia alcançado 72% da área cultivada em Goiás. O dado integra o 11º levantamento da safra de grãos 2025/26 utilizado pela secretaria para contextualizar o andamento da produção estadual.
Processamento é oportunidade para agregar valor
Além do desempenho no campo, a expansão do girassol abre espaço para o desenvolvimento da agroindústria. A matéria-prima pode ser destinada à fabricação de óleo comestível, alimentos industrializados, cosméticos e biocombustíveis. O farelo e outros coprodutos também podem ser aproveitados na alimentação animal.
Para Goiás, o fortalecimento do processamento local é uma oportunidade de agregar valor à produção e ampliar a participação do estado em etapas posteriores à colheita. A existência de mais unidades capazes de transformar o grão pode aproximar os produtores das indústrias consumidoras e ampliar as possibilidades comerciais da cultura.
O avanço, contudo, depende de fatores que vão além do aumento da área plantada. A produtividade, a regularidade das chuvas, a qualidade dos grãos, a logística e a capacidade de processamento influenciam o resultado econômico da cadeia. Por isso, a expansão registrada nas lavouras deve ser acompanhada por investimentos em tecnologia, manejo e infraestrutura.
Os dados divulgados em 25 de setembro de 2026 pela Seapa indicam que o girassol se consolida como uma alternativa agrícola em Goiás, mas também evidenciam os desafios para transformar crescimento territorial em ganhos sustentáveis. O comportamento do clima e o desenvolvimento da agroindústria serão decisivos para definir os próximos passos da cultura no estado.









