Como a execução elevou o padrão da engenharia dutoviária em túnel na Serra do Mar

A excelência técnica na execução de obras em túnel na Serra do Mar revela como a engenharia dutoviária evolui em segurança e eficiência, conforme analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes.
A excelência técnica na execução de obras em túnel na Serra do Mar revela como a engenharia dutoviária evolui em segurança e eficiência, conforme analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Paulo Roberto Gomes Fernandes conduziu um dos marcos mais exigentes da engenharia dutoviária brasileira, o lançamento do gasoduto do Gastau em um túnel de 5,1 quilômetros sob a Serra do Mar, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Mesmo passados anos desde a conclusão, o caso segue sendo citado em debates técnicos porque reuniu complexidade operacional, restrições severas de acesso e a necessidade de manter segurança e controle de processo em um ambiente confinado e contínuo.

O desafio não estava apenas na extensão do túnel, mas também nas condições físicas impostas ao método construtivo. Tratava-se de um duto de 28 polegadas, instalado em um túnel com cerca de cinco metros de diâmetro e acesso único, o que limita manobras, logística de equipamentos e alternativas de contingência.

Por que um túnel de acesso único muda a lógica do lançamento de dutos

Em obras convencionais, soldagem, inspeção e pintura costumam acompanhar a frente de montagem, avançando com o lançamento. Em um túnel longo, estreito e com um único ponto de entrada, essa lógica tende a aumentar a exposição a gases e a reduzir as margens de resposta em caso de intercorrência, especialmente quando há concentração de equipes e fontes de calor em espaço confinado.

Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o ganho decisivo veio de tratar o túnel como uma etapa de passagem controlada, e não como o local de produção de todas as frentes. Ao deslocar atividades sensíveis para área aberta, a operação reduz a necessidade de ventilação intensiva durante procedimentos críticos e diminui a probabilidade de falhas associadas a condições ambientais, como acúmulo de fumos e limitações de visibilidade.

Planejamento logístico e controle de processo com tubos de grande porte

A execução exigiu precisão desde o transporte até o posicionamento final, porque cada tubo tinha 12 metros de comprimento e aproximadamente sete toneladas. Em vez de concentrar esforços em várias tarefas simultâneas dentro do túnel, o modelo de trabalho separou frentes: preparação e controle de qualidade em ambiente externo, e lançamento contínuo com parâmetros monitorados no interior.

Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca como a execução precisa em projetos de engenharia dutoviária em túnel na Serra do Mar contribuiu para elevar os padrões técnicos e operacionais do setor.
Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca como a execução precisa em projetos de engenharia dutoviária em túnel na Serra do Mar contribuiu para elevar os padrões técnicos e operacionais do setor.

Conforme analisado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, essa separação favorece a estabilidade operacional, pois evita gargalos típicos de ambientes confinados, como paradas longas por interferência entre equipes e limitações de circulação. Quando a cadeia de preparação funciona com cadência, o lançamento pode ocorrer de forma mais regular, com previsibilidade de tempo e redução de retrabalho, o que ajuda a proteger o cronograma sem comprometer critérios técnicos.

Tecnologia brasileira e a segunda geração de Roletes Motrizes

Um ponto distintivo do caso foi o uso da segunda geração do sistema de Roletes Motrizes, desenvolvido no Brasil e, à época, aplicado de modo inédito naquele tipo de ambiente. O sistema foi concebido para lidar com túneis extensos e sem acessos intermediários, justamente onde o controle de alinhamento, velocidade e estabilidade precisa ser contínuo para evitar tensões indevidas e perdas de referência ao longo do percurso.

Sob a perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a contribuição do sistema não se limita ao deslocamento do duto, ela se relaciona ao domínio de variáveis que, em túneis longos, podem se transformar em riscos cumulativos. Ao permitir ajustes finos e monitoramento, a tecnologia cria condições para que o lançamento mantenha consistência de parâmetros, preservando a integridade do conjunto e reduzindo a probabilidade de eventos por desalinhamento ou instabilidade.

Prazo, avaliação institucional e lições que permanecem em 2026

A conclusão antecipada do lançamento e a atribuição de nota máxima no Boletim de Avaliação de Desempenho da Petrobrás refletem um resultado que vai além de “entregar no prazo”. Esse tipo de reconhecimento costuma considerar segurança, qualidade, organização e aderência a requisitos, elementos que se tornam mais sensíveis quando há frentes simultâneas e um ambiente com restrições severas de acesso.

Como observa Paulo Roberto Gomes Fernandes, a segurança foi tratada como premissa do método, não como ajuste posterior. A decisão de evitar soldagem no interior do túnel reduziu a exposição a riscos típicos de espaços confinados, enquanto uma cabine de comando externa favoreceu a comunicação e o monitoramento contínuo, com rastreabilidade de etapas e respostas mais rápidas a qualquer desvio de parâmetro.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez