Sete pré-candidatos disputam o Palácio Piratini e partidos já marcaram datas para oficializar suas chapas em julho e agosto.
A disputa pelo governo do Rio Grande do Sul começa a ganhar contornos mais definidos a menos de três meses da eleição de outubro. Com Eduardo Leite impedido de concorrer à reeleição, já que cumpre seu segundo mandato consecutivo à frente do estado, o grupo político do governador concentra esforços na candidatura do vice-governador Gabriel Souza, do MDB, apresentado como sucessor natural da gestão atual. Mas ele está longe de ser o único nome na disputa. Ao todo, sete pré-candidatos devem liderar chapas majoritárias ao Palácio Piratini, um número que reflete a fragmentação política observada em outros estados às vésperas do pleito. A pergunta que move o debate público gaúcho nas próximas semanas é: quem sairá fortalecido das convenções partidárias e conseguirá construir a aliança mais competitiva para outubro?
Quem são os principais nomes na disputa
Além de Gabriel Souza, integram a lista de pré-candidatos a governador Juliana Brizola, do PDT, ex-deputada estadual e ex-vereadora de Porto Alegre; Luciano Zucco, do PL, atual deputado federal; e Marcelo Maranata, do PSDB, ex-prefeito de Guaíba. Completam o grupo três nomes ligados a legendas menores, Rejane de Oliveira, do PSTU, Priscila Voigt, do UP, e César Pontes, do PCO. Essa configuração mostra um espectro amplo, que vai de partidos de esquerda mais à margem do centro político até siglas alinhadas ao campo conservador, evidenciando que o Rio Grande do Sul deve viver uma eleição estadual disputada em múltiplas frentes.
Levantamentos recentes ajudam a entender o momento de cada candidatura. Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest em abril apontou Juliana Brizola na liderança, com 24% das intenções de voto, seguida por Luciano Zucco, com 21%. Gabriel Souza aparecia com 6% e Marcelo Maranata com 2%, enquanto 34% dos eleitores ainda se declaravam indecisos, uma fatia expressiva que indica que o cenário eleitoral ainda pode mudar bastante até outubro. Esse número alto de indecisos é lido por analistas como um sinal de que a corrida ao Piratini está longe de definida, ainda que Brizola e Zucco apareçam com folga sobre os demais nomes.
Vale notar que Gabriel Souza chega à disputa em uma posição peculiar, já que representa a continuidade da gestão de Eduardo Leite justamente em um momento no qual o estado ainda vive o processo de reconstrução após as enchentes de 2024. Seus adversários diretos tendem a explorar tanto os avanços quanto os pontos de crítica dessa gestão, enquanto o vice-governador aposta no discurso de continuidade administrativa e equilíbrio fiscal como principais bandeiras de campanha. Esse contraste de estratégias deve ficar mais evidente à medida que as convenções partidárias se aproximam e os discursos de lançamento das candidaturas se tornam públicos.
O calendário das convenções partidárias
O calendário eleitoral já está em curso em todo o país. As convenções partidárias acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que os partidos confirmam formalmente seus candidatos perante a Justiça Eleitoral. É nesse intervalo que ficam definidas não apenas as candidaturas majoritárias ao governo, mas também as chapas proporcionais de deputados federais e estaduais, o que torna essas semanas particularmente movimentadas dentro das estruturas partidárias gaúchas.
No Rio Grande do Sul, o PL será um dos primeiros a se movimentar, com convenção estadual marcada para 22 de julho, no Teatro Dante Barone, na sede da Assembleia Legislativa, ocasião em que deve confirmar Luciano Zucco como seu candidato ao governo. O PDT segue o calendário três dias depois, em 25 de julho, na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, para oficializar a candidatura de Juliana Brizola. Já o MDB deve realizar sua convenção em 1º de agosto, quando é esperada a confirmação de Gabriel Souza como candidato do grupo governista.
Esses eventos costumam reunir lideranças regionais, prefeitos aliados e representantes de outras siglas que decidem apoiar a chapa oficializada, funcionando também como uma espécie de termômetro sobre o tamanho real da coligação que cada candidato conseguiu costurar. A definição de vices e o anúncio de apoios formais nessas convenções tendem a influenciar diretamente o tempo de propaganda eleitoral e o acesso a recursos do fundo eleitoral, dois fatores que pesam bastante no resultado final de outubro.
A disputa também pelo Senado
A eleição no Rio Grande do Sul não se resume ao governo estadual. No mesmo pleito, os gaúchos também escolherão dois novos senadores, já que os mandatos atuais completam oito anos em 2026. Paulo Paim, histórico nome do PT no Senado, já anunciou que não buscará um quarto mandato, abrindo uma vaga relevante no campo à esquerda, enquanto Luis Carlos Heinze, do PP, segue elegível para tentar a reeleição. Essa vacância deve provocar uma disputa acirrada entre nomes de diferentes espectros ideológicos.
Uma pesquisa do instituto Real Time Big Data, realizada entre 20 e 22 de junho, mostrou o deputado federal Marcel Van Hattem na liderança da corrida ao Senado, com 20% das intenções de voto no conjunto dos dois votos permitidos ao eleitor. Na sequência aparecem Manuela D’Ávila, do PSOL, com 19%, o deputado federal Sanderson, do PL, com 17%, o ex-governador Germano Rigotto, do MDB, com 14%, e o deputado federal Paulo Pimenta, do PT, também com 14%. Frederico Antunes, do PSD, aparecia com 4% no mesmo levantamento.
Essa disputa paralela pelo Senado tende a influenciar diretamente as alianças formadas para o governo do estado, já que partidos costumam negociar apoio a candidaturas majoritárias em troca de espaço nas chapas proporcionais. Uma bancada estadual numerosa amplia a capacidade de um governo eleito de aprovar projetos e conduzir sua agenda no Legislativo, o que torna essas negociações tão estratégicas quanto a própria disputa pelo Piratini, e explica por que o período de convenções costuma ser acompanhado de perto por toda a estrutura partidária.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, quando os gaúchos vão às urnas para escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Até lá, o calendário de convenções partidárias deve consolidar o desenho final da disputa, ainda que alianças e apoios possam mudar até o registro definitivo das candidaturas na Justiça Eleitoral. Para o eleitor gaúcho, os próximos dias devem ajudar a esclarecer não apenas quem estará na cédula em outubro, mas também que tipo de aliança política vai comandar o Rio Grande do Sul pelos próximos quatro anos, em um momento ainda marcado pelos desafios da reconstrução após as enchentes de 2024.
Fontes consultadas:
https://www.nsctotal.com.br/noticias/eleicoes-2026-como-esta-o-cenario-para-a-disputa-pelo-governo-do-rio-grande-do-sul
https://www.jornaldocomercio.com/politica/2026/07/1255179-a-tres-meses-da-eleicao-rs-tem-sete-pre-candidatos-a-governador.html
https://poa24horas.com.br/politica/2026/07/coluna-cinco-partidos-ja-tem-datas-para-convencoes-estaduais-no-rio-grande-do-sul/
https://www.canalms.com.br/noticia/9183/campo-grande/politica/convencoes-partidarias-definem-candidaturas-e-aliancas-para-as-eleicoes-de-2026.html









